Compositor: Dani Filth

Crepúsculo e o abraço dela

Quando o sol
Chorou sobre o lago sem ondas
E a névoa facilmente passou despercebida
Lobos reunidos em um coven
São suas nucas dissonantes e assustadoras
Em adoração da lua e a ti

"eles clamam como eu a ti…"

E eu chegarei, como se em sonho
Minha lânguida, obscura e esplêndida
Rainha malaresian
De uma antiga raça vingativa
Dourada com as peles de muitos inimigos
Erishkigal, de cabelos negros como um corvo (1)
Tua sedução assombra o castelo em desespero erótico
Eu posso provar tua fragrância à luz de velas
Pernas de porcelana traçadas e atadas ao seu covil
Saciam a besta em lençóis respingados
Tingidos de vermelho sobrenatural
Enquanto a sobriedade se desfaz em gotas

Eternidade noturna…
Ela virá para mim

Uma pintura de veludo negro
Sustentada pela vida elegante
Como uma madonna pungente
Pervertida junto à noite
E eu cavalguei da luz ocidental
Para usufruir minha luxúria
Rasgue o traje fúnebre
Saiba que eu escaparei da minha morte
Entregue ao esplendor
De sua carícia aguçada

Vejam! o luar pálido
Tece um feitiço poético de morte vital e declínio
De névoa e traças e da fome dentro de si
Beijos deram início à febre e a febre, falecimento

"através do crepúsculo, da escuridão e do nascer da lua
Minhas lágrimas escarlates irão escorrer
Como sangue roubado e amor sussurrado
De fantasias desfeitas"

Condessa envolta em ébano
E num alvo encanto bailado
Lábios avermelhados alcançam o desejo
Por luxúria e sua desgraça

Crepúsculo e o abraço dela

Devemos voar através das sombras
Como um sonho de lobisomens na neve
Debaixo da beladona (2)
Ainda excitados com o arrebol da matança

Sob as estrelas tua carne me atormenta
(sob as estrelas provo a morte em mim)
Deixe-me de herança teu beijo ardente
Para cortar a fina mortalidade

Elizabeth
Meu coração é teu
Tuas palavras perfumadas
Aquecem por dentro como vinho…

"deixe-me vir até ti
Com olhos como asfódelo (3)
O reflexo da lua, liberta os desejos
Para se contorcer sob o meu encanto"

Erishkigal, de cabelos negros como um corvo
Tua sedução assombra o castelo
Em desespero erótico
Eu conheço tua fragrância à luz de velas
Carne imortal eu anseio em compartilhar
Saciar a besta em lençóis respingados
Tingidos de vermelho maléfico
Enquanto a sobriedade se desfaz em gotas

Eternidade noturna
Ela virá para mim…

Estenda teus membros, súcubo ofegante (4)
Como a névoa que encobriu tudo
Conceda a noite para nós…

(1) ereshkigal = para os sumérios e acadianos, a deusa da morte e do mundo subterrâneo, irmã de ishtar a deusa do céu.

(2) deadly nightshade (beladona) = planta ornamental, originária da europa e da ásia, da família das solanáceas (atropa belladona), dotada de folhas grandes e bagas globosas, medicinal, com propriedades diaforética e diurética, e cujo alcalóide, a atropina, é de uso perigoso.
(3) asphodel (asfódelo) = tipo de plantas do gênero asphodelus e da família das liliáceas, com flores em longos racemos eretos.
(4) succubus = no folclore medieval europeu, súcubo era um demônio feminino que vinha à noite copular com um homem, perturbando-lhe o sono e causando-lhe pesadelos. sua contraparte masculina chama-se incubus (traduz-se, incubo).